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CAPITULO XVII
Diz a história que o homem sempre sonhou poder voar... Voar, como as aves, contemplar a natureza lá do alto, libertar-se da atracção terrestre e gozar a liberdade de se movimentar
a seu bel-prazer. Surgiu o avião, e o homem deu um passo de gigante na sua capacidade criativa e no seu poder sobre as leis da Natureza. Durante muito tempo sonhei que o fazia. Nos meus sonhos, o voar era qualquer
coisa que fazia parte da minha capacidade de locomoção. Lembro-me que tinha uma certa dificuldade em consegui-lo na sua plenitude, isto é, facilmente atingia o alto dum edifício, planava sobre as árvores, mas necessitava
dum esforço maior para alcançar determinada altitude. Voar em sonhos tornou-se uma constante, em determinada altura da vida. Não acontecia porque possuisse algum dom especial. Não! Era uma coisa banal, própria,
perfeitamente integrada no espaço desses sonhos. Como um aprendiz, ou como uma criança, voava com dificuldade, mas com um prazer especial. A princípio, precisava fazer movimentos mais fortes com os braços para poder
"içar-me" lá para cima; depois, deliciava-me a "deixar-me ir" por sobre as árvores, sobre as casas, enchendo-me dum prazer delicioso. Tal como caminhar sobre o mar... Bracejar nas águas com leveza e
segurança, sentindo-as sob o corpo tal um tapete escorreito, doce e amigo. Sensações inolvidáveis, paraísos doutra vida, realidades doutro tempo e doutro espaço.
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