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     Eram tempos de outro tempo. Tempos onde existia amizade, onde as ruas eram palcos de brincadeiras sem maldade, onde se respirava ar puro, onde o trabalho da ceifa e da debulha se misturava com as traquinices dos mais novos, que pulavam sobre os montes de trigo ceifado ajudando, quantas vezes, a atar os sacos cheios do trigo saído dos buracos da debulhadora, debaixo do Sol quente dos célebres verões alentejanos.
  Apanhava pardais com armadilhas cobertas do excremento seco das vacas, brincava horas e horas por entre os molhos da palha para o gado, empilhada no celeiro quase até ao tecto, palmilhava quilómetros por entre as papoilas e o verde da erva escondida por sobreiros e azinheiras.
   Corria atrás da burra que, de olhos vendados, andava em círculos contínuos e pachorrentos na nora que abastecia de água as culturas e o grande tanque da horta, e descia as escadas de pedra para ouvir cantar a água, lá no fundo do poço, fresco e magicamente encantador.
   

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