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     "Nadava" em cuecas no tanque da horta e picava-me, amiúde, ao apanhar os figos da India, carnudos e deliciosos.
  Eram tempos de outro tempo. Eram os tempos do sábado de aleluia tradicionais, em que um grupo de rapazes e raparigas se reunia no cimo da rua, frente á igreja, e daí corria por ali abaixo só parando nas portas das lojas e cafés, onde os donos atiravam rebuçados e outras guloseimas ás mãos-cheias para, no meio da algazarra geral, todos tentarem agarrar as que pudessem. E dali, tornavam a correr rua fora, até outra loja, outra mercearia, outro café, onde tudo se repetia, no calor do entusiasmo, do riso, da alegria estonteante.
   Eram tempos de outro tempo. Tempos sadios e francos. Tempos sem televisões nem computadores. Tempos sem drogas nem vícios. Tempos onde tudo era permitido e tudo era respeitado.
   Joguei ao pião e á bola de trapos. Fiz trotinetes de madeira e escorregas de paus e troncos para deslizar ruas abaixo. Fugia dos banheiros na praia de Sines, quando tentavam agarrar-me para me meterem nas águas frias do mar. Corria as ruas a gritar, anunciando a vitória do Messejana, quando havia futebol num campo pelado mesmo no extremo da vila.
   Brinquei, vivi, sonhei.
   E amava os meus irmãos, e amava os meus pais.
   Fui garoto e fui feliz.
   

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