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e bela, tão profunda e verdadeira, que não provocava qualquer estímulo de prazer ou vaidade. Simplesmente, eu sentia que possuía o dom de curar! Bastar-me-ia tocar o doente...
   Mas eram momentos lúcidos mais ou menos fugidios. Embora repetitivos. Eles alternavam com outros carregados de extrema violência. Uma violência onde a razão e o raciocínio não existiam, e onde tudo se resumia a uma mistura de angústia e desespero.
   "Dentro de 5 minutos preciso de estar no quarto! Levem-me p'ra lá!"
   Estas duas frases fazem parte do vocabulário estranho com que presenteei os presentes, confusos e atónitos, perante aquilo a que assistiam. Nada era coerente para eles. Mas todos eram unânimes em pensar que eu havia enlouquecido. A determinada altura, tudo o que era auxílio médico deixou de ser essencial. O facto e a determinação de "chegar ao quarto" tomou uma dimensão circunstancial, tal como os outros testes passados. E o medo acompanhava essa necessidade, num todo absoluto e indissociável.
  "Depressa! Já não vou chegar a tempo! Depressa!"
   Na verdade, verifico hoje que o TEMPO foi factor caracteristicamente forte em toda a minha experiência. Profundamente incontrolado e desgastador, fortemente dominante e inatingível. A percepção do meu domínio psíquico estava para lá desse Tempo, e a distância entre os dois extremos sempre se apresentou morbidamente fora desse domínio.
   O cansaço estava em todos os meus gestos, mas o medo de fechar os olhos sobrepunha-se a tudo o resto...
   

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