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   Presumo que eu estava num estado bastante agitado, comprometedoramente associado a qualquer ataque de loucura. Aparentemente! Consigo recordar, com toda a perfeição, que o consciente ( vivido sofregamente na mistura do querer ficar com o medo surdo do voltar para aquilo ) balançava, quase imperceptivelmente, entre o cá e o lá. E todo o conteúdo emotivo experimentado era acompanhado por reflexos nervóticos, transparecidos fisicamente nos gestos e nas expressões, em esgares, em risos de alegria, em lágrimas corridas pelas faces, em palmas de satisfação.
   Tudo condizia, aparentemente, com o diagnóstico de "loucura" súbita. Um homem, ora sentado, ora deitado na marquesa, chorando copiosamente e logo a seguir rindo e batendo palmas - era espectáculo deprimente para os familiares, embora perfeitamente "aceite" para o pessoal médico. Surdamente apreciado, lembraria até um teste mímico ao alcance de poucos. Talvez pela força convincente dos meus argumentos ou talvez para abreviar a gravidade ou responsabilidade do momento, o neurologista acedeu às minhas súplicas e desistiu de me injectar, não sem primeiramente efectuar o teste dos reflexos nos joelhos com o martelinho e com uma agulha nos pés, no tronco e nas faces. Decididamente, n�o era necessário injectar!
   Deixaram-me só. Os minutos tornaram-se intermináveis. Tudo era lento, muito lento de resolver. A força do querer foi-se definindo, pouco a pouco. A ânsia de liberdade sobrepunha-se a todo um processo pesado pesado e complexo que teimava em arrastar-se. O tempo era, cada vez mais, o actor principal. No momentos mais lúcidos, distinguia perfeitamente, ofuscando as minhas normais capacidades humanas, um poder extasiante e belo. Sentado naquela marquesa, EU TINHA A CERTEZA que curaria um doente, se lhe tocasse com um dedo! Era uma sensação tão natural e
   

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