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CAPITULO XV

   No passeio não havia mais ninguém. Era uma estrada movimentada, onde os carros iam e vinham a grande velocidade. Eu estava no lado direito e o movimento era grande em toda a minha esquerda.
   De repente, um motociclista passou a grande velocidade, virou à esquerda e arrepiou-me. Num segundo, um carro apareceu da direita, travou com ruído, mas não evitou o impacto. Tudo se passou em curtos momentos. A moto embateu no carro e o homem foi projectado contra uma árvore, caindo no chão inanimado. Fez-se um silêncio de morte e tudo emudeceu, pessoas e veículos, num ambiente subitamente carregado pelo trágico e pelo inesperado.
   Voltei-me para o lado de onde o motociclista surgira, talvez para retomar o caminho, ou talvez não. Naquele instante, o meu pensamento desprendeu-se e regressou subitamente, repleto e rejuvenescido.
   Com todos os seus pormenores, com toda a nitidez, com a maior lentidão do mundo, a cena atrás contemplada apareceu de novo na minha frente, como um truque de cinema.
   A poucos centímetros, a moto passou por mim, devagar, devagarinho, deixando ver um homem novo, guiando seguro e tranquilo. O meu olhar acompanhou-o na mesma lentidão, fixou toda a profundidade dos pormenores, sustentados num espaço onde tudo era mais claro e as cores eram mais coloridas. Se estendesse o braço, "agarraria" certamente um bocado daquela cena, que   
   

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