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decorria vagarosa ante os meus sentidos.
   Mas a moto continuou o seu trajecto, entrou no perímetro dum carro vindo da direita e ensaiou uma espécie de dança, surdamente animada e controlada.
   Depois, a dança mudou de forma: o carro ficou quieto, a moto rodopiou na medida em que, inconscientemente, "me deu mais jeito", e o homem ergueu-se no espaço vazio, levando-me consigo o pensamento e o olhar.
   Uma árvore apareceu por detrás, as costas do homem foram na sua direcção e estamparam-se contra o tronco, momentaneamente e a meia altura. Um estremecimento percorreu o corpo do homem, como um choque eléctrico, e eu "vi" que a vida deixava aquele corpo.

   Acordei do sonho, num turpor amargo e distante. O silêncio compôs a realidade e a consciência. A luz do dia ainda estava longe.
   Soltei o pensamento e ele pareceu dizer-me que o tempo, aquela suposta dimensão ainda não dominada pelo homem, estivera na minha mão, controlada ao pormenor e ao segundo.
   

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