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CAPITULO XVIII

    Hoje, aguardo os dias do futuro.
    No calor da vida e no deambular das emoções, a roda do destino dedilha as linhas do tempo que falta.
    Nada é como dantes. Tudo mudou. As pequeninas coisas e todas as outras.
Até a fronteira que separa os limites da própria existência tomou um sentido próprio. Estreitou-se essa linha invisível, criando um campo novo, facilmente transponível e ameaçador. A corda grossa que nos liga à vida consciente transformou-se, para mim, num fio delgado e fraco.
    O meu hoje e o amanhã estão mais perto.

    Passo momentos de "crise". Momentos em que, sentado num transporte público, de regresso a casa, fecho os olhos para descansar um pouco, e temo o negro da escuridão. A sensação da "chamada" envolve a realidade racional, num turbilhar perturbador. O dia-a-dia tornou-se desafiante e, amiúde, desconfortante.
   Como, por vezes, o passar da noite, o viver o sono indispensável. Dormir. Como é dormir? "Como se dorme?" - pergunto eu às minhas faculdades mentais, no silêncio da noite, por entre incertezas e receios, suspenso pela finura do cordão que me ata à vida.
    Também, o simples passar do tempo. O estendimento dum destino incerto. O espraiar dos dias pela estreita tela que conduz à curva da minha existência. Amargo gosto do fel, aviso indicifrável, mas
   

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