Página 8  


abria-se e o nome do aluno era ouvido na sala silenciosa, como um prato que se estilhaça num chão de cozinha. Todos suspiravam de alívio, excepto o infeliz saído em sorte. Porque eu sou do tempo em que o professor de matemática utilizava o chicote quando chamava alguém ao quadro, e o fazia saltar no estrado para não ser apanhado nas pernas, pelas suas chicotadas rasteiras. E que dizer da professora de inglês, directora do colégio, quando ordenava ao chefe de turma para ir ao andar de cima buscar a "régua". Minutos depois, aquela "coisa" de madeira pulida, com mais de meio metro de comprimento abatia-se cinco ou seis vezes sobre a mão estendida de quem respondia errado.
   Eu sou do tempo do chicote e da régua e das mãos, quentes e avermelhadas que, de cabeça baixa, escondíamos atrás das costas, após suportarem a dôr de meia dúzia de reguadas bem aplicadas.
   Mas recordo que não estudávamos em clima de terror. Não! Seria talvez uma disciplina rígida, própria e admitida. Nós reconhecíamos que era assim e aceitávamos aquelas regras como se fizessem parte da metodologia do ensino de então.
   

–  

»