Página 11  


e o meu "eu" deixou de estar ali.
  Recordando, agora, os factos de então, poderei afirmar que "parti" para outro lugar, onde não havia enfermeiras, nem médico, nem hospital. Era um lugar escuro, sem contornos nem paisagens à vista. E porque isto está fresco na minha memória, tentarei defini-lo com mais duas ou três frases.
  Poderei afirmar que não era um lugar deste mundo, e disso eu tive a percepção imediata. Poderei afirmar que, racionalmente, terei que compará-lo com uma arena, em que essa arena era "eu mesmo". Ou talvez um palco, pronto a acolher as cenas de uma peça. Sim, talvez esta comparação esteja mais próxima da verdade. Mas não havia espectadores, nem luzes, nem cadeiras, nem um juiz, nem testemunhas. Não havia nada, de físico e concreto.
  Afinal, como devo definir o que se passou? Para onde fui eu? Que lugar era aquele?
   É difícil explicar aquele espaço com palavras inventadas pelo homem, assim como é difícil explicar todos os acontecimentos posteriores com palavras, sentimentos e emoções, tais como os conhecemos. Poderei afirmar, somente, que eu estava num lugar e a viver "coisas" que não faziam parte deste mundo, e n�o existem nem palavras nem sentimentos que possam explicar, com exactidão, aquilo que iria passar-se longe dum médico e de três enfermeiras, e de quatro ou cinco familiares que esperavam no corredor vizinho.
   

–  

»