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E estou a falar da morte, como elemento comparativo, já que não poderei afirmar que "morri", ou que estive perto da morte, ou que estive "para além" da vida terrena, ou que estive noutro estágio qualquer. Não poderei afirmar nada disto, à luz da medicina actual ou dos conhecimentos actuais, já que o médico-cirurgião que me "operou" não sabe explicar o que me terá acontecido. Não sabe, nem percebe exactamente o que se passou.Na sua vida de médico, este foi um caso único, sem uma explicação exacta. Ainda hoje recordamos o caso e eu sinto que ele procura minimizar a questão, com explicações como "uma determinada reacção" ao produto anestésico ministrado na altura.
   Mas para mim foi uma experiência perfeitamente indiscutível, longe da linguagem humana e das formas de percepção conhecidas.
  Lembro hoje o "Livro Tibetano dos Mortos" quando refere que o moribundo experimenta, além de uma espécie de "espelho" no qual toda a sua vida, todos os seus actos, bons ou maus, são reflectidos para serem vistos tanto por ele, como pelos seres que estão a julgá-lo. Nesta situação, não pode haver distorções, pois é impossível mentir sobre a sua própria vida.

   

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