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CAPITULO VII
Recordo que a minha experiência foi diferente de tudo aquilo que li até hoje, também porque foi dividida em duas partes distintas e separadas no espaço e no tempo.
A primeira parte foi experimentada aquando da perda de consciência, na altura em que a enfermeira, apressadamente, me media a tensão e chamava pelo cirurgião, solicitando ajuda.
Não é fácil falar nestas coisas e muito mais difícil é entendê-las. O que procuro reproduzir à luz da nossa razão e à luz dos elementos
físicos que nos rodeiam e ainda à luz de como sentimos as nossas emoções do dia-a-dia - o que procuro transmitir por palavras rebuscadas no vocabulário que acumulei em toda a minha
vida - é tarefa quase impossível. Não conheço os adjectivos próprios, não consigo definir e explicar aquilo que senti, não encontro nada que possa servir de comparação e
que ajude, de qualquer maneira, a fazer-me entender convenientemente. Falar de dôr, de sofrimento, de paz, de alegria, de angústia, de êxtase - é tão pouco e tão ridículo...
Se a paz experimentada era uma coisa maravilhosa, já a dôr era a coisa mais terrível alguma vez idealizada: "só dava vontade querer morrer", mas morrer como, se "morto"
já eu me encontrava?... A verdade, porém, é que nem a este possível pensamento eu tivera acesso...
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