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que ameaça eternizar-se. E depois, o alívio a chegar, a sobrepôr-se, a dominar, como a cena seguinte do filme que roda, apressado, turbulento, sempre interligado, sem um corte ou paragem para descansar. No subconsciente desfilam imagens esmagadoras, algo pessoais, passivelmente aceites, passivelmente ajuizadas como boas ou más.
Tudo passado a um ritmo diabólico, sem um fim à vista, onde uma cena rotulada de boa provoca a tal dôr estranhamente insuportável, e a seguir outra, esta sim possuída de bem, que alivia e faz sentir melhor; mas logo outra que é facilmente avaliada e faz voltar aquela sensação arripiante , e depois outra e outra, ora boa
ora má, sempre em ritmo alucinante, sempre interligadas, onde o alívio se segue à dôr, ou a dôr se abate de novo, e ameaça eternizar-se, dando lugar a um medo profundo de não haver mais coisas boas, de tudo aquilo entrar num rodopio, num loop sem fim, num círculo vicioso. Era o medo de ficar ali, sem hipóteses de libertação,
ligado para sempre àquela submissão horrível de dôr e angústia. Porque é dôr e é angústia, malparecida com aquela dôr no peito bem funda, que nada tem de física, malcomparada à "nossa" angústia por feitos passados. Esta angústia é sobrenatural, é sobrehumana. É dôr de outra dimensão,
é espiritual - é dôr angustiante ou angústia dolorosa.
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