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CAPITULO XI
O regressar dum desmaio é, por regra, e para mim, um remoinho indesejável que nos sobe ao cérebro, acompanhado por um mal-estar decrescente, à medida que as coisas, pessoas e vozes se tornam audíveis e, pouco a pouco, percebíveis. Foi assim também por
ocasião duma anestesia geral, e penso, por vezes, como será a "entrada" dum recém-nascido no mundo terreno, aquando da sua separação do leito materno. Nascer para esta vida ou deixá-la definitivamente tem as suas analogias e os seus pontos comuns. Como dizem certos pensadores,
é com o nascimento para este mundo que o pequenino ser humano perde a liberdade e o entendimento pleno e universal; partir desta vida é como regressar à fase original e ver abrir-se-lhe todo o conhecimento e poder espiritual calcado e adormecido, durante anos, num corpo terreno. Quando, deitado na
marquesa, comecei a entender que estava a recuperar dum desmaio, assaltou-me uma sofreguidão e uma ansiedade muito fortes, misturadas com o súbito receio de ir esquecer a experiência que acabara de viver. Então, toda a minha mente, toda a minha força interior canalizou os cinco sentidos para um propósito
vital: NÃO ESQUECER!
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