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  Recordo perfeitamente a ânsia desmesurada que punha na frase repetida vezes sem conta, perante os olhares atónitos do médico e enfermeiras: "Eu não quero esquecer! Eu não quero esquecer!". Fechava as mãos com
força, unia simultaneamente todos os meus sentidos, e repeti, repeti aquela frase vezes sem conta. Todas as cenas acabadas de "viver" estavam frescas, muito claras na minha memória, e todas as sensações permaneceram intactas nos momentos que
se seguiram. As enfermeiras procuravam acalmar-me, sentaram-me na marquesa, e eu "verifiquei" que uma falsa-tontura me perturbava o equilíbrio. O médico-cirurgião apercebeu-se do facto, e iniciou uma série de perguntas pessoais, às quais eu
fui respondendo, com um misto de ansiedade e satisfação. Porquê? Muito simples: a "tontura" que sentia estar a provocar-me o desequilíbrio mental evidenciou-se, a pouco e pouco, como um facto perturbador novo e intrinsecamente familiar. Uma força
estranha dera início a um estranho "bailado", num "medir de forças" provocante e abertamente intencional. Responder acertadamente às perguntas do médico significavam os primeiros sintomas que a força "que me puxava" poderia ceder a qualquer
momento. "- Quer um pouco de água?" - tentou uma das enfermeiras. Eu fiz que sim com a cabeça, mas interrompi-lhe o gesto de me colocar o copo entre os lábios. Quiz ser eu a fazê-lo! A primeira tentativa resultou em parte,
mas logo as forças cederam, e eu mantive
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