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Estava criado um momento expectante, de alívio positivo! Só que, momentos depois, nova "investida" caía sobre mim. E aqui o outro facto curioso: a nova "investida" apagava da memória as facilidades antecedentes, deixando-me o raciocínio sem defesa, sem a experiência da anterior como auxílio.
Tudo era novo, a incerteza tornava-se numa constante, as dificuldades apresentavam-se novamente em termos absolutos e o confronto desencadeava uma necessidade de entrega total e desgastante.
Dir-me-ia mais tarde o cirurgião que a "reacção anormal" que eu tivera, havia durado muitos minutos. Para mim, tinha durado o tempo que, quantas vezes, classificamos
de eternidade . A dôr, quando é sentida em termos extremos, e estendida numa fase temporal, provoca um alongamento perceptual do tempo, tornando mais vincada a experiência emocional vivida. "Não esquecer!" foi sempre o imperativo saído de cada momento de crise, quando o binómio causa-efeito tomava
uma dimensão diferente. O facto em si, acontecido entre as quatro paredes da sala, não apresentava sintomas claros de prognósticos naturais. Razão por que o cirurgião solicitou a "ajuda" dum neurologista, circunstancialmente presente ali perto, que, perante tal situação, decidiu por uma injecção que me puzesse "a dormir". É claro que
se trataria dum tranquilizante ou coisa parecida.
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